Acordo cedo nesta quarta-feira e vou para o momento de oração da comunidade. Após o café é hora de reorganizar a agenda. Ligo a TV e novamente escuto as mesma coisas sobre o caso da menina Isabella, que possivelmente teria sido mais uma vítima da violência doméstica. O caso tem movido as atenções do Brasil. É verdade que a mídia tem exagerado um pouco em um caso só. Especialistas afirmam que duas crianças são mortas por dia no Brasil dentro de suas próprias casas. Estes casos normalmente não ficam conhecidos nem mesmo pela vizinhança nas grandes cidades.
Mas gostaria de refletir sobre o caso Isabella em outra direção. É cuirioso assistir à fúria e indignação da população. As cenas são de julgamento imeditao. O culpado tem que ser achado, afinal a menina foi morta. Não podemos imaginar que um pai possa abrir uma rede de segurança e jogar sua própria filha do sexto andar, ainda com vida. Ainda que ela já estivesse morta é difícil imaginal um idéia tão louca.
Porém, ao mesmo tempo, corre em nosso legislativo uma insistente lei que aprova o aborto. É possível que muitos dos indignados com o caso Isabella sejam defensores ardorosos da morte de outras meninas sem nome que podem ser jogadas para fora do útero, rompida a rede de proteção. Quem apóia o aborto na verdade é tão vil quanto alguém que quisesse defender violentos castigos domésticos.
O aborto é uma forma de violência doméstica. Mas normalmente não tem sido visto assim. O que os olhos não vêm o coração não sente. Se víssemos o horror e a covardia de uma cena de aborto… se passasse na TV, certamente causaria uma comoção nacional. Há uma flagrante incoerêcia, não acha?
Pe Joãozinho scj
domingo, 27 de abril de 2008
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Os sete “Pês” do Pai-Nosso
Neste final de semana, em Barretos, estive meditando sobre a “prece” mais conhecida e bela que alguém já rezou, o pai-nosso, a oração que Jesus nos ensinou. Percebi que muitos segredos de salvação estão contidos nesta prece e começam com a letra “P”. Não que isso seja muito importante ou que esconda grandes segredos. Mas pode ser uma forma “prática” de gravar algumas lições que o Mestre de Nazaré nos deixou. A primeira parte fala do “Pai”, que é nosso, e a segunda parte fala do “pão”, que também é nosso. Uma parte aponta para o “paraíso” e a outra para a “planície”, ou seja, para a nossa terra, ou se preferir, com “p”, nosso “planeta”. Contei sete “pês” na oração do pai-nosso. Certamente uma leitura atenta vai encontrar muito mais. Deixo isso para a sua criatividade. Veja os que encontrei.
1. PAI - “Pai nosso…” Ao rezar esta oração partimos da certeza de que Deus é mais do que uma personalidade famosa, importante e distante. Ele é “Pai”, mora conosco e gosta de nos pegar no colo.
2. PARAÍSO - “…que estais no céu” O paraíso pode parecer um lugar distante, mas na verdade habita dentro do nosso coração. Deus plantou em nós uma semente de esperança. Podemos e devemos esperar contra toda esperança. Buscamos as coisas do alto, do céu, do paraíso. Temos certeza de que caminhamos para uma dimensão eterna. Por isso somos felizes mesmo na dor e no sofrimento.
3. PRECE - “…santificado seja o vosso nome” Santificar o nome de Deus é louvá-lo com palavras e gestos. Somos gente que reza, que conversa com Deus. Ele é o nosso pastor e não nos deixa faltar nada. Jesus nos ensinou a rezar sempre. Pedimos, louvamos, adoramos, meditamos, conversamos com nosso Pai do Paraíso com a intimidade de filhos e filhas.
4. PREPARAR-SE “venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu” Não basta rezar. É preciso agir. Precisamos fazer a nossa parte e apressar o Reino do Amor, da justiça do perdão e da solidariedade. Deus fez o mundo em seis dias, descansou no sétimo e no oitavo nos deixou a tarefa de completar a obra da criação com nosso trabalho. Somos colaboradores de Deus nesta obra de cuidar da criação. Uma das formas de nos prepararmos é a “promoção” humana, principalmente para os “pobres”, “pequenos”, pecadores”, para todo o “povo de Deus”.
5. PÃO - “o pão nosso de cada dia nos dai hoje” Jesus inaugurou uma religião que não despreza a matéria. O Pai é nosso, mas o pão também é! Por isso lutamos para que ninguém tenha fome. Nosso Deus permanece conosco presente em uma migalha de pão, a Eucaristia. Valorizamos o corpo, a saúde, o lazer, a alimentação saudável, os exercícios físicos. Cuidar das coisas materiais é também uma forma de ser santo.
6. PERDÃO - “…perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido…” Uma as grandes lições que Jesus nos deixou é o perdão. Antes dele se falava de “olho por olho e dente por dente”. Isso gerava o círculo vicioso da vingança e da violência. Quem ama perdoa e quebra esta maldição. O perdão inaugura o círculo virtuoso da paz.
7. PAZ - “e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal” O último “pê” é a grande busca da humanidade em toda a sua história: a paz! Ela não é apenas ausência de guerras e conflitos. É presença de comunhão e solidariedade de todos com Deus, de cada um com seu próximo e também com a natureza. Hoje precisamos tanto fazer as pazes com as florestas e com os animais. A paz é até mesmo harmonia consigo mesmo. Precisamos de paz interior.
Se você tiver alguma sugestão para este artigo, fique a vontade e faça seu comentário, quem sabe não me empolgo e faço desta idéia tão simples um livro. Desde já, muito obrigado.
Pe Joãozinho scj
1. PAI - “Pai nosso…” Ao rezar esta oração partimos da certeza de que Deus é mais do que uma personalidade famosa, importante e distante. Ele é “Pai”, mora conosco e gosta de nos pegar no colo.
2. PARAÍSO - “…que estais no céu” O paraíso pode parecer um lugar distante, mas na verdade habita dentro do nosso coração. Deus plantou em nós uma semente de esperança. Podemos e devemos esperar contra toda esperança. Buscamos as coisas do alto, do céu, do paraíso. Temos certeza de que caminhamos para uma dimensão eterna. Por isso somos felizes mesmo na dor e no sofrimento.
3. PRECE - “…santificado seja o vosso nome” Santificar o nome de Deus é louvá-lo com palavras e gestos. Somos gente que reza, que conversa com Deus. Ele é o nosso pastor e não nos deixa faltar nada. Jesus nos ensinou a rezar sempre. Pedimos, louvamos, adoramos, meditamos, conversamos com nosso Pai do Paraíso com a intimidade de filhos e filhas.
4. PREPARAR-SE “venha a nós o vosso reino, seja feita a vossa vontade assim na terra como no céu” Não basta rezar. É preciso agir. Precisamos fazer a nossa parte e apressar o Reino do Amor, da justiça do perdão e da solidariedade. Deus fez o mundo em seis dias, descansou no sétimo e no oitavo nos deixou a tarefa de completar a obra da criação com nosso trabalho. Somos colaboradores de Deus nesta obra de cuidar da criação. Uma das formas de nos prepararmos é a “promoção” humana, principalmente para os “pobres”, “pequenos”, pecadores”, para todo o “povo de Deus”.
5. PÃO - “o pão nosso de cada dia nos dai hoje” Jesus inaugurou uma religião que não despreza a matéria. O Pai é nosso, mas o pão também é! Por isso lutamos para que ninguém tenha fome. Nosso Deus permanece conosco presente em uma migalha de pão, a Eucaristia. Valorizamos o corpo, a saúde, o lazer, a alimentação saudável, os exercícios físicos. Cuidar das coisas materiais é também uma forma de ser santo.
6. PERDÃO - “…perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido…” Uma as grandes lições que Jesus nos deixou é o perdão. Antes dele se falava de “olho por olho e dente por dente”. Isso gerava o círculo vicioso da vingança e da violência. Quem ama perdoa e quebra esta maldição. O perdão inaugura o círculo virtuoso da paz.
7. PAZ - “e não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal” O último “pê” é a grande busca da humanidade em toda a sua história: a paz! Ela não é apenas ausência de guerras e conflitos. É presença de comunhão e solidariedade de todos com Deus, de cada um com seu próximo e também com a natureza. Hoje precisamos tanto fazer as pazes com as florestas e com os animais. A paz é até mesmo harmonia consigo mesmo. Precisamos de paz interior.
Se você tiver alguma sugestão para este artigo, fique a vontade e faça seu comentário, quem sabe não me empolgo e faço desta idéia tão simples um livro. Desde já, muito obrigado.
Pe Joãozinho scj
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Síndrome da dispersão
Quando entrei para o seminário, em 1976, havia lá um formador que havia passado um tempo de estudos na Europa e voltara cheio de idéias. Uma de suas criatividades era um curioso “Catálogo de problemas pessoais”. Éramos todos garotos de sexta até oitava série. Tínhamos entre 13 e 15 anos de idade. Entrávamos na adolescência longe da família e precisávamos de um rumo. Ele inventou o tal “catálogo” com mais ou menos 300 problemas que um quase-jovem poderia enfrentar.
A orientação era a seguinte:
“- Se for um probleminha, tome um lápis e marque um X; se for um problema maior, coloque um círculo em torno do X. Se o problema for enorme coleque dois círculos. Quando for conversar com seu orientador, leve junto o seu caderno. Aos poucos você vai resolver seus problemas e poderá ir apagando os círculos até resolver um problema completamente e apagar até mesmo o X.”
Tenho este caderno até hoje, apesar de entender os evidentes limites da metodologia. Estes dias estive revirando velhos arquivos e dei de cara com a lista de problemas. Lá estava o meu maior problema daquele tempo, que até hoje permanece com dois círculos:
“Ser disperso, distraído”.
Lembro o quanto lutei contra esta tendência inata de estar sempre muito concentrado… mas não exatamente naquilo que é oportuno naquela hora. É só entrar na capela e começar a rezar que tenho idéias e mais idéias. No volante às vezes tenho que parar o carro para anotar a letra ou a melodia de alguma canção. Tive que estudar filosofia para entender que este aparente “defeito de fabricação” na verdade era uma grande qualidade se administrado do jeito certo. O pensador é alguém que consegue se distrair e se maravilhar com as coisas aparentemente mais irrelevantes. Quando começo a fazer uma pesquisa, preciso me distrair com o objeto pesquisado. Isto é, preciso o êxtase de quem se distrai.
Foram anos e mais anos procurando dominar este talento natural. Consegui algumas vitórias e descobri certos segredos da alma que faz silêncio, adora, aquieta-se e ama. Rezar é distrair-se com Deus. Rezamos quando ficamos distraidamente olhando um lago e nos colocamos no colo do criador de tudo aquilo. A distração pode terminar em louvor.
Mas existe também a síndrome da dispersão que pode matar a nossa saudável distração. Pensei que era uma luta minha, irremediavelmente distraído. Mas aos poucos percebo que vivemos em um mundo cada vez mais disperso. As pessoas entram em casa e não sabem cozinhar sem ligar a TV. Passam roupa distraídas com algum inútil programa de rádio que repete as mesmas baboseiras 24 horas todo dia. A juventude está cada vez mais dispersa na Internet. Este meio maravilhoso poderia ser utilizado para fazer milagres e alcançar mais e mais conhecimento. Mas entro na Lan House e vejo em um passar de vistas, todos os computadores plugados em programas de bate-papo no estilo MSN. A conversa não vai dois centímetros de profundidade, pois é preciso conversar com cinco ou seis pessoas ao mesmo tempo. Isso quando ao mesmo tempo não se está em alguma sala virtual e algum outro programa de relacionamento, ou ao mesmo tempo se alimenta sua página de Orkut. É uma doença. Pesquisas iniciais indicam que a Internet assim utilizada provoca dificuldade de concentração nos jovens estudantes.
Existem muitas armadilhas tecnológicas que podem capturar nossa concentração e nos deixar dispersos. Vejo pessoas que tentam trabalhar com um celular ao lado que toca a cada 10 minutos; o MSN e o Skype estão ligados e pessoas falam, falam, falam… um telefone convencional toca às vezes, um radio está ligado bem baixinho! É possível trabalhar assim? Nosso mundo está disperso. Nós latino-americanos somos tropicalmente quentes e temos por natureza climática mais dificuldade de concentração do que um alemão, por exemplo. Precisamos rever nossos conceitos. Não seria a hora de retomar o nosso “catálogo de problemas” e tentar apagar este X?
Quem sabe possamos começar fazendo um esforço de ficar meia hora em silêncio por dia. Parece simples, não é? Dizem que qualquer empresário que conseguir fazer isso terá sucesso. Por que não tentar?
Pe Joãozinho scj
A orientação era a seguinte:
“- Se for um probleminha, tome um lápis e marque um X; se for um problema maior, coloque um círculo em torno do X. Se o problema for enorme coleque dois círculos. Quando for conversar com seu orientador, leve junto o seu caderno. Aos poucos você vai resolver seus problemas e poderá ir apagando os círculos até resolver um problema completamente e apagar até mesmo o X.”
Tenho este caderno até hoje, apesar de entender os evidentes limites da metodologia. Estes dias estive revirando velhos arquivos e dei de cara com a lista de problemas. Lá estava o meu maior problema daquele tempo, que até hoje permanece com dois círculos:
“Ser disperso, distraído”.
Lembro o quanto lutei contra esta tendência inata de estar sempre muito concentrado… mas não exatamente naquilo que é oportuno naquela hora. É só entrar na capela e começar a rezar que tenho idéias e mais idéias. No volante às vezes tenho que parar o carro para anotar a letra ou a melodia de alguma canção. Tive que estudar filosofia para entender que este aparente “defeito de fabricação” na verdade era uma grande qualidade se administrado do jeito certo. O pensador é alguém que consegue se distrair e se maravilhar com as coisas aparentemente mais irrelevantes. Quando começo a fazer uma pesquisa, preciso me distrair com o objeto pesquisado. Isto é, preciso o êxtase de quem se distrai.
Foram anos e mais anos procurando dominar este talento natural. Consegui algumas vitórias e descobri certos segredos da alma que faz silêncio, adora, aquieta-se e ama. Rezar é distrair-se com Deus. Rezamos quando ficamos distraidamente olhando um lago e nos colocamos no colo do criador de tudo aquilo. A distração pode terminar em louvor.
Mas existe também a síndrome da dispersão que pode matar a nossa saudável distração. Pensei que era uma luta minha, irremediavelmente distraído. Mas aos poucos percebo que vivemos em um mundo cada vez mais disperso. As pessoas entram em casa e não sabem cozinhar sem ligar a TV. Passam roupa distraídas com algum inútil programa de rádio que repete as mesmas baboseiras 24 horas todo dia. A juventude está cada vez mais dispersa na Internet. Este meio maravilhoso poderia ser utilizado para fazer milagres e alcançar mais e mais conhecimento. Mas entro na Lan House e vejo em um passar de vistas, todos os computadores plugados em programas de bate-papo no estilo MSN. A conversa não vai dois centímetros de profundidade, pois é preciso conversar com cinco ou seis pessoas ao mesmo tempo. Isso quando ao mesmo tempo não se está em alguma sala virtual e algum outro programa de relacionamento, ou ao mesmo tempo se alimenta sua página de Orkut. É uma doença. Pesquisas iniciais indicam que a Internet assim utilizada provoca dificuldade de concentração nos jovens estudantes.
Existem muitas armadilhas tecnológicas que podem capturar nossa concentração e nos deixar dispersos. Vejo pessoas que tentam trabalhar com um celular ao lado que toca a cada 10 minutos; o MSN e o Skype estão ligados e pessoas falam, falam, falam… um telefone convencional toca às vezes, um radio está ligado bem baixinho! É possível trabalhar assim? Nosso mundo está disperso. Nós latino-americanos somos tropicalmente quentes e temos por natureza climática mais dificuldade de concentração do que um alemão, por exemplo. Precisamos rever nossos conceitos. Não seria a hora de retomar o nosso “catálogo de problemas” e tentar apagar este X?
Quem sabe possamos começar fazendo um esforço de ficar meia hora em silêncio por dia. Parece simples, não é? Dizem que qualquer empresário que conseguir fazer isso terá sucesso. Por que não tentar?
Pe Joãozinho scj
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Novo CD de pe. Joãozinho: "Ecce Venio - Sacerdote para sempre"

"O povo será amigo do padre e da Igreja quando o padre se tornar amigo do povo". (Pe. João Leão Dehon)
Inspirado no grande lema da vida do francês João Leão Dehon, fundador da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, Padre Joãozinho, quinze anos de sacerdócio, lança o 11º CD por Paulinas-Comep: Ecce Venio - Sacerdote para sempre. Mais uma vez, deixa explícito o lema que permanece inspirando todos os que, como ele, Pe. Anísio José e Pe Zezinho, participam da Família Dehoniana: Ecce Venio (em latim, 'eis-me aqui').
"Se você prestar bem atenção, nossos livros e canções têm esta marca registrada: somos padres do coração", avisa. "Faz algum tempo que este fogo queimava novas canções em meu interior", diz, apresentando o trabalho, também um resgate dos quinze anos dedicados à vida sacerdotal e à comunicação.
As canções são permeadas por citações bíblicas, com um pouco da história de dedicação, obediência, entrega e dilemas, que começou a ser escrita no despertar da vocação. Um bom exemplo entre as dez canções e dois mantras (em latim) deste CD, é "Prece do amor", composta quando tinha 15 anos e estudava em um seminário em Curitiba. "Foi meu jeito adolescente de fazer uma declaração de amor a Deus".
As inspirações continuaram aflorando ao longo da sua vida - em retiros, palestras, aulas, encontros... "Sacerdote para sempre", por exemplo, "é um resumo musical de minhas palestras. Nasceu em dezembro de 2006 durante um retiro de preparação para ordenação sacerdotal de alguns jovens, hoje espalhados pelo mundo afora".
Outro destaque, "Amigos mil", composição do Pe. Zezinho, é uma homenagem ao grande amigo que sempre o acompanhou. "Cada palavra dessa canção esconde um tesouro de verdade. Escute em silêncio... com o coração no colo de Deus, nosso maior amigo", sugere Pe. Joãozinho.
O CD começa e termina com a mesma melodia dos mantras, Ecce Venio, e, para finalizar, "Ecce Ancilia", o 'eis-me aqui' de Maria, ambos dos padres Joãozinho e Anísio José. "É muito mais do que o 'Eis-me aqui', é a marcante disponibilidade de Cristo que em tudo cumpriu a vontade do Pai. Para o Pe. Joãozinho, os mantras trazem uma proposta de harmonia e paz interior para quem os escuta. "Hoje, existe tanta música que nos desintegra, gera um caos dentro de nós. Espero que minhas canções tragam paz e harmonia interior".
Destaques, ainda, para "Eis-me aqui", tradução de "Eccomi", uma das músicas mais populares nas missas da Itália, escrita pelo jovem sacerdote Marco Frisina, maestro, músico e cantor, regente do coral do Vaticano.
quarta-feira, 9 de janeiro de 2008
O que significa ser “CATÓLICO”?
Um jovem me fez esta pergunta. Disse que há algum tempo está em crise de fé e tem buscado a solução em igrejas evangélicas. Em uma delas, ao confessar-se católico, ouviu dizer que a palavra “católico” nem sequer está na Bíblia. Ficou com esta dúvida intrigante. Queria uma resposta pois já estava começando a pensar que seus amigos tinham razão e que seria melhor mesmo mudar de igreja.
Pedi que ele abrisse a sua Bíblia no Evangelho de Mateus, capítulo 28, versículos 18b-20. Utilizarei aqui a tradução mais popular nas bíblias evangélicas (Almeida, corrigida e fiel):
“É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.”
Você percebeu que fiz questão de colocar em negrito uma palavrinha que aparece de modo insistente no texto: TODO. Jesus tem todo o poder; devemos anuncia-lo a todos os povos, guardar todo o seu ensinamento na certeza de que estará todos os dias conosco. Esta ordem de Jesus foi levada muito a sério pelos discípulos. Em grego a expressão “de acordo com o todo”, pode ser traduzida por “Kat-holon”. Daí vem a palavra “católico” (em grego seria: Καθολικός). Ao longo do primeiro e segundo séculos os seguidores de Jesus Cristo começaram a ser reconhecidos como “cristãos” e “católicos”. As duas palavras eram utilizadas indistintamente.
Ser católico já significava “ser plenamente cristão”. O catolicismo, portanto, é o cristianismo na sua “totalidade”. É a forma mais completa de obedecer o mandato do Mestre antes de sua volta para o Pai. O mesmo mandado pode ser lido no Evangelho de Marcos 16,15: “Ide e pregai o evangelho a toda criatura”. Há, portanto, uma catolicidade vertical, que é ter o Cristo todo, ou seja ser discípulo; e uma catolicidade horizontal, que é levar o Cristo a todos, ou seja, ser missionário. Isso é ser católico: totalmente discípulo, totalmente missionário, totalmente cristão!
Ao que tudo indica o termo “católico” se tornou mais popular a partir de Santo Inácio de Antioquia (discípulo de São João), pelo ano 110 dC. Pode significa tanto a “universalidade” da Igreja como a sua “autenticidade”. Quase na mesma época São Policarpo utilizava o termo “católico” também nestes dois sentidos. Santo Agostinho utilizou o termo “católico” mais de 240 vezes em seus escritos, entre 388-420. São Cirilo de Jerusalém (315-386), bispo e doutor da Igreja, dizia: “A Igreja é católica porque está espalhada por todo o mundo; ensina em plenitude toda a doutrina que a humanidade deve conhecer; conduz toda a humanidade à obediência religiosa; é a cura universal para o pecado e possui todas as virtudes” (Catechesis 18:23). Veja que já está bem claro os dois sentidos de “Católico” como “universal e ortodoxo”. Durante mil anos os dois significados estiveram unidos. Mas por volta do ano 1000 aconteceu um grande cisma que dividiu a igreja em “ocidental e oriental”. A Igreja do ocidente continuou a ser denominada “Católica” e a Igreja do oriente adotou o adjetivo de “Ortodoxa”. Na raiz as duas palavras remetem ao significado original de Igreja “autêntica”.
Santo Tomás de Aquino (1225-1274), grande teólogo ocidental, desenvolveu uma teologia da catolicidade. A Igreja seria “universal” em três sentidos: a) Está em todos os lugares (cf. Rm 1,8) e pode ser militante na Terra, padecente no purgatório e triunfante no céu; b) Inclui pessoas dos três estados de vida (Gal 3,28): leigos, religiosos e ministros ordenados; c) Não tem limite de tempo desde Abel até a consumação dos tempos.
A Igreja católica reconhece que cristãos de outras igrejas pode ter o batismo válido e possuir sementes da verdade em sua fé. Porém, sabe que apenas a Igreja católica conserva e ensina sem corrupção TODA a doutrina apostólica e possui TODOS os meios de salvação.
Devemos viver e promover a sensibilidade ecumênica promovendo a fraternidade com os irmãos que pensam ou vivem a fé cristã de um modo diferente. Mas isso não significa abrir mão de nossa catolicidade. Quando celebramos a Eucaristia seguimos à risca o mandato do Mestre que disse: “Fazei isso em memória de mim!” A falta da Eucaristia deixa uma grande lacuna em algumas Igrejas. Um pastor evangélico, certa vez, me disse que gostaria de rezar a ave-maria, mas por ser evangélico não conseguia. Perguntei por quê? Ele disse que se sentia incomodado toda vez que lia o Magnificat em que Maria proclama: “Todas as gerações me chamarão de bendita” (Lc 1,48)… e se questionava o por quê sua geração tão evangélica não faz parte desta geração que proclama bem-aventurada a Mãe do Salvador!
Realmente, ser católico é ser totalmente cristão!
pe. Joãozinho, scj
Pedi que ele abrisse a sua Bíblia no Evangelho de Mateus, capítulo 28, versículos 18b-20. Utilizarei aqui a tradução mais popular nas bíblias evangélicas (Almeida, corrigida e fiel):
“É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém.”
Você percebeu que fiz questão de colocar em negrito uma palavrinha que aparece de modo insistente no texto: TODO. Jesus tem todo o poder; devemos anuncia-lo a todos os povos, guardar todo o seu ensinamento na certeza de que estará todos os dias conosco. Esta ordem de Jesus foi levada muito a sério pelos discípulos. Em grego a expressão “de acordo com o todo”, pode ser traduzida por “Kat-holon”. Daí vem a palavra “católico” (em grego seria: Καθολικός). Ao longo do primeiro e segundo séculos os seguidores de Jesus Cristo começaram a ser reconhecidos como “cristãos” e “católicos”. As duas palavras eram utilizadas indistintamente.
Ser católico já significava “ser plenamente cristão”. O catolicismo, portanto, é o cristianismo na sua “totalidade”. É a forma mais completa de obedecer o mandato do Mestre antes de sua volta para o Pai. O mesmo mandado pode ser lido no Evangelho de Marcos 16,15: “Ide e pregai o evangelho a toda criatura”. Há, portanto, uma catolicidade vertical, que é ter o Cristo todo, ou seja ser discípulo; e uma catolicidade horizontal, que é levar o Cristo a todos, ou seja, ser missionário. Isso é ser católico: totalmente discípulo, totalmente missionário, totalmente cristão!
Ao que tudo indica o termo “católico” se tornou mais popular a partir de Santo Inácio de Antioquia (discípulo de São João), pelo ano 110 dC. Pode significa tanto a “universalidade” da Igreja como a sua “autenticidade”. Quase na mesma época São Policarpo utilizava o termo “católico” também nestes dois sentidos. Santo Agostinho utilizou o termo “católico” mais de 240 vezes em seus escritos, entre 388-420. São Cirilo de Jerusalém (315-386), bispo e doutor da Igreja, dizia: “A Igreja é católica porque está espalhada por todo o mundo; ensina em plenitude toda a doutrina que a humanidade deve conhecer; conduz toda a humanidade à obediência religiosa; é a cura universal para o pecado e possui todas as virtudes” (Catechesis 18:23). Veja que já está bem claro os dois sentidos de “Católico” como “universal e ortodoxo”. Durante mil anos os dois significados estiveram unidos. Mas por volta do ano 1000 aconteceu um grande cisma que dividiu a igreja em “ocidental e oriental”. A Igreja do ocidente continuou a ser denominada “Católica” e a Igreja do oriente adotou o adjetivo de “Ortodoxa”. Na raiz as duas palavras remetem ao significado original de Igreja “autêntica”.
Santo Tomás de Aquino (1225-1274), grande teólogo ocidental, desenvolveu uma teologia da catolicidade. A Igreja seria “universal” em três sentidos: a) Está em todos os lugares (cf. Rm 1,8) e pode ser militante na Terra, padecente no purgatório e triunfante no céu; b) Inclui pessoas dos três estados de vida (Gal 3,28): leigos, religiosos e ministros ordenados; c) Não tem limite de tempo desde Abel até a consumação dos tempos.
A Igreja católica reconhece que cristãos de outras igrejas pode ter o batismo válido e possuir sementes da verdade em sua fé. Porém, sabe que apenas a Igreja católica conserva e ensina sem corrupção TODA a doutrina apostólica e possui TODOS os meios de salvação.
Devemos viver e promover a sensibilidade ecumênica promovendo a fraternidade com os irmãos que pensam ou vivem a fé cristã de um modo diferente. Mas isso não significa abrir mão de nossa catolicidade. Quando celebramos a Eucaristia seguimos à risca o mandato do Mestre que disse: “Fazei isso em memória de mim!” A falta da Eucaristia deixa uma grande lacuna em algumas Igrejas. Um pastor evangélico, certa vez, me disse que gostaria de rezar a ave-maria, mas por ser evangélico não conseguia. Perguntei por quê? Ele disse que se sentia incomodado toda vez que lia o Magnificat em que Maria proclama: “Todas as gerações me chamarão de bendita” (Lc 1,48)… e se questionava o por quê sua geração tão evangélica não faz parte desta geração que proclama bem-aventurada a Mãe do Salvador!
Realmente, ser católico é ser totalmente cristão!
pe. Joãozinho, scj
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
“Tema o julgamento de Deus, não o dos homens” (Pe. Pio)
Quem de nós não precisa aprender a conviver com seus medos? A Bíblia nos aconselha em cada página: “Não temas, pois o Senhor está contigo”. O Salmo 22 é uma das mais populares canções de encorajamento: “Ainda que eu passe pelas sombras do vale da morte, não temerei, pois o Senhor está comigo”. Outra coisa muito diferente é o “temor de Deus”. Não é medo. É respeito. Devemos respeitar a Deus, mas também devemos respeito em outras situações. Quando você vai à praia e resolve nadar um pouco, coragem demais pode ser fatal. Meu pai sempre dizia que o mar exige respeito. Não precisamos ter medo do fogo… mas é melhor respeitar para não sair queimado.
Outra situação é essa que Pe. Pio indica em sua inspirada frase. Muitas vezes damos atenção demais ao que os outros pensam e falam sobre nós. Existem pessoas que ficam em pânico só de saber que estão na língua do povo. De fato, isso não é nada agradável. Porém, deveríamos temer, ou seja, respeitar, muito mais o julgamento de Deus. Não é porque o noss pecado permaneceu oculto que saímos ilesos da situação. Deus vê o que está oculto. Antes de fazer qualquer coisa, lembre que Deus está vendo. Ele enxerga os corações. Por isso seu juízo é perfeito. Outra coisa é o juízo das pessoas. Quanto preconceito, segundas intenções, espírito de revanche e vingança…
Não devemos temer os juízo imperfeitos da humanidade. Deus sim… este fará justiça!
Pe Joãozinho scj
Outra situação é essa que Pe. Pio indica em sua inspirada frase. Muitas vezes damos atenção demais ao que os outros pensam e falam sobre nós. Existem pessoas que ficam em pânico só de saber que estão na língua do povo. De fato, isso não é nada agradável. Porém, deveríamos temer, ou seja, respeitar, muito mais o julgamento de Deus. Não é porque o noss pecado permaneceu oculto que saímos ilesos da situação. Deus vê o que está oculto. Antes de fazer qualquer coisa, lembre que Deus está vendo. Ele enxerga os corações. Por isso seu juízo é perfeito. Outra coisa é o juízo das pessoas. Quanto preconceito, segundas intenções, espírito de revanche e vingança…
Não devemos temer os juízo imperfeitos da humanidade. Deus sim… este fará justiça!
Pe Joãozinho scj
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Como um jovem pode “tecer” a sua vida?!
Existem várias maneiras de tecer a vida. Podemos fazer uma dessas camisetas de serigrafia em série, ou mesmo colocar em uma máquina e deixar a produção seguir em frente sem sequer olhar. Vivemos neste mundo em que as pessoas pensam que as coisas do coração acontecem automaticamente.
Muitos jovens estão totalmente enganados. Quando abrirem os olhos será tarde demais. Estão vivendo a péssima filosofia do “deixa a vida me levar… vida leva eu”. Filosofia tão banal só podia ser cria de botequim! E muitos jovens vão sendo plalha levada pelo vento. Na hora da tempestade não resistirão pois sua casa está construída sobre a areia.
Vivemos um tempo em que as pessoas olham feio para quem fala de disciplina, ascese, limites. Parecem palavrões. Estamos no tempo do ficar, curtir, ir para a balada “como se não houvesse amanhã”. É claro que é preciso amar… mas existe um amanhã. É preciso viver a vida de modo consequente e responsável.
Alguns jovens já descobriram que esta lógica do consumo só acaba aumentando a produção de lixo e comendo o planeta em três gerações. Esse egoísmo histórico não será perdoado pelos nossos netos que verão a morte em massa pelo desequilíbrio climático.
Não ligue se chamam você de careta. Vale a pena tecer a vida como o paciente tricô ou crochê da velha e saudosa vó Isaura. A mulher rendeira tecia a bela toalha nó após nó. Mas o valor daquela obra de arte é infinitamente superior à toalha de plástico que se compra na esquina. Jovens de fibra são tecidos dia após dia na disciplina, ascese e paciência. Vale a pena. Este jovem terá muito mais valor, inclusive para o mercado de trabalho. A decisão é sua!!!
Pe Joãozinho scj
Muitos jovens estão totalmente enganados. Quando abrirem os olhos será tarde demais. Estão vivendo a péssima filosofia do “deixa a vida me levar… vida leva eu”. Filosofia tão banal só podia ser cria de botequim! E muitos jovens vão sendo plalha levada pelo vento. Na hora da tempestade não resistirão pois sua casa está construída sobre a areia.
Vivemos um tempo em que as pessoas olham feio para quem fala de disciplina, ascese, limites. Parecem palavrões. Estamos no tempo do ficar, curtir, ir para a balada “como se não houvesse amanhã”. É claro que é preciso amar… mas existe um amanhã. É preciso viver a vida de modo consequente e responsável.
Alguns jovens já descobriram que esta lógica do consumo só acaba aumentando a produção de lixo e comendo o planeta em três gerações. Esse egoísmo histórico não será perdoado pelos nossos netos que verão a morte em massa pelo desequilíbrio climático.
Não ligue se chamam você de careta. Vale a pena tecer a vida como o paciente tricô ou crochê da velha e saudosa vó Isaura. A mulher rendeira tecia a bela toalha nó após nó. Mas o valor daquela obra de arte é infinitamente superior à toalha de plástico que se compra na esquina. Jovens de fibra são tecidos dia após dia na disciplina, ascese e paciência. Vale a pena. Este jovem terá muito mais valor, inclusive para o mercado de trabalho. A decisão é sua!!!
Pe Joãozinho scj
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